Em Tempo especail das eleições

José Reinaldo • 5 de outubro de 2026

Coluna Em Tempo, com notas exclusivas sobre política, cotidiano e bastidores do poder

Força


O prefeito Adamor Aires demonstrou força política nas eleições de 2026, ao dar expressiva votação para os candidatos que apoiou em Santa Luzia do Pará. O bom desempenho nas urnas amplia o peso político do chefe do executivo municipal, que sai fortalecido da disputa e já movimenta as discussões sobre o cenário para 2028. Os candidatos a deputado federal e estadual, ao Senado e ao governo do estado apoiados pelo prefeito obtiveram votações superlativas no município, com eleitos para o Congresso Nacional e a Assembleia Legislativa. O resultado fortalece Adamor para os próximos desafios, ampliando sua capacidade de articulação e manutenção da sua base em Santa Luzia.


Números


Os números que emergiram das urnas atestam o bom desempenho dos candidatos apoiados pelo prefeito e dão um raio x do seu poder de mobilização junto à sua base . O ex-ministro Jader Filho, candidato a deputado federal, obteve 5.245 votos e carimbou o passaporte para Brasília. A deputada estadual Cilene Couto recebeu 3.994 votos e garantiu mais um mandato na Assembleia Legislativa. Na disputa pelo Senado, Helder Barbalho alcançou 9.653 votos, enquanto o deputado Chicão obteve 8.564. A governadora Hanna Ghassan, derrotada na disputa estadual, registrou 8.462 votos em Santa Luzia, quase o dobro do adversário. O resultado é uma clara demonstração da força política de Adamor e reflexo da sua administração, muito bem avaliada pela população em todas os setores da administração  municipal.


Nova configuração


As eleições de 2026 redesenharam o mapa político do Pará. O MDB manteve posição de destaque, mas passou a dividir espaço com o crescimento de partidos de direita, especialmente o PL. Na Assembleia Legislativa, a nova composição mostra uma mudança na correlação de forças, enquanto o MDB preservou influência no legislativo e conquistou uma cadeira no Senado com Helder Barbalho, perdeu o controle do governo do estado. Dr. Daniel Santos, do Podemos, venceu a disputa pelo comando da máquina administrativa ainda no primeiro turno.


Do mesmo tamanho


O MDB manteve sua força na Assembleia Legislativa, apesar da mudança no tabuleiro eleitoral. Em 2022, o partido havia elegido 13 deputados estaduais e, em 2026, repetiu o mesmo número, mantendo 13 das 41 cadeiras da Alepa. Considerando a composição imediatamente anterior à eleição, quando o partido chegou a reunir 14 deputados após mudanças partidárias e a janela de 2026, houve a redução de uma cadeira. Ainda assim, o MDB continuará controlando praticamente um terço da Assembleia Legislativa, mantendo a mesma musculatura dentro da casa., mostrando que o partido preservou uma parcela significativa de sua influência.


Avanço à direita


O PL foi o partido que mais cresceu na Assembleia Legislativa entre as eleições de 2022 e 2026. A legenda passou de três para sete deputados, um aumento de quatro cadeiras, mais que dobrando sua bancada. Com isso, passou de aproximadamente 7% para 17% da composição da Alepa e assumiu isoladamente a segunda maior bancada, atrás apenas do MDB. O União Brasil também avançou, passando de uma para três cadeiras. O Republicanos manteve duas. Na nova composição, MDB e PL somam 20 das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa.


Murchou


A esquerda perdeu espaço na composição da Assembleia Legislativa após o resultado das urnas neste domingo, 04. O PT passou de quatro deputados eleitos em 2022 para três. O PSOL manteve sua única cadeira, enquanto o PV conquistou uma vaga. A mudança não representa o desaparecimento da esquerda no parlamento estadual, mas mostra que o crescimento mais expressivo ocorreu entre partidos identificados com a direita. Considerando a evolução das bancadas, porém, o novo cenário da Alepa apresenta maior presença de partidos associados à Direita Bolsonarista.


Encolheu


O principal sinal de recuo do MDB aparece na bancada paraense da Câmara dos Deputados. Em 2022, o partido elegeu nove deputados federais. Em 2026, foram apenas seis, uma redução de três cadeiras, equivalente a um terço da representação conquistada quatro anos atrás. Apesar da queda, o MDB continua como a maior bancada do Pará na Câmara Federal. O PL passou de dois para três deputados federais e teve o deputado Delegado Caveira como campeão de votos do estado, com 414.927 votos. A bancada paraense ficará distribuída entre MDB, PL, PT, PSD, Podemos, PSB e PP.


Senado


O MDB compensou parte da redução de sua bancada na Câmara com a eleição de Helder Barbalho para o Senado Federal, mantendo a vaga que atualmente pertence ao seu pai, Jader Barbalho, em fim de mandato. A segunda vaga ficou com Chicão, do União Brasil, atual presidente da Assembleia Legislativa. Com Beto Faro, do PT, eleito em 2022, a bancada paraense no Senado será formada por MDB, União Brasil e PT, mantendo alinhamento político e ideológico com o ex-governador que passa a liderar a bancada a partir de fevereiro do ano que vem, e preserva o grupo político ligado a Helder Barbalho para atuar nas decisões nacionais em Brasília.


Golpe


Apesar de manter 13 deputados estaduais, eleger seis deputados federais e conquistar uma cadeira no Senado, o MDB perdeu o governo do estado. Dr. Daniel venceu a eleição ainda no primeiro turno impondo uma derrota amarga e difícil de digerir. O resultado encerra um período de hegemonia do grupo político ligado ao ex-governador e estabelece uma nova dinâmica de poder com o MDB fora do comando da máquina governista, sob a batuta de Helder desde o longevo 2018. O governador eleito estará à frente do executivo enquanto a maior bancada da Assembleia Legislativa permanece sob o comando do principal partido que lhe fará oposição.


PL anabolizado


O PL foi uma das legendas que mais ampliaram sua presença política no Pará nas eleições de 2026. Na Assembleia Legislativa, passou de três deputados para sete. Na Câmara dos Deputados, cresceu de duas para três cadeiras. O partido também elegeu o deputado federal mais votado do estado, Delegado Caveira, que ultrapassou a marca de 400 mil votos. Além disso, integrou a coligação responsável pela eleição de Daniel Santos ao governo do estado e terá a vice-governadora Ellayne de Almeida. O resultado coloca o PL entre as principais forças partidárias do estado a partir de 2027 e ganhará mais protagonismo ainda com a possível eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, comandante-em-chefe da legenda.


Pará mais à Direita?


A representação parlamentar do Pará ficou mais à direita após as eleições de 2026, especialmente na Assembleia Legislativa, permitindo-se afirmar que uma parcela considerável do eleitorado paraense tenha passado por um realinhamento ideológica, com os números saído das urnas mostrando um aumento do peso de partidos alinhados com a direita, sobretudo o PL, a legenda mais identificada com o espectro Bolsonarista. Ao mesmo tempo, o MDB permanece como uma força de grande relevância, embora tenha perdido o governo do estado e sofrido um revés na bancada federal, com o cenário apontando para uma redistribuição do poder entre diferentes correntes políticas na representatividade politica dentro do estado.


Lula de novo


Lula venceu novamente a eleição presidencial no Pará, com 49,91% dos votos válidos consolidando assim sua hegemonia junto ao eleitorado paraense, já que o presidente venceu no estado todas as eleições que disputou para a Presidência da República desde 1989. O mesmo ocorreu em Santa Luzia do Pará. No município, Lula foi novamente o candidato mais votado, com 66,25% dos votos válidos. O resultado mantém a sequência de vitórias do petista no município desde 1989.


O grande derrotado


O ex-ministro de Lula e deputado federal Celso Sabino terminou a disputa pelo Senado menor do que entrou, ao  amargar um distante quinto lugar, com minguados 5,87% dos votos, mesmo contando com uma estrutura milionária à sua disposição, apoio de lideranças expressivas do petismo paraense e atá do presidente Lula, que inclusive gravou um vídeo ao lado do seu ex-colaborador pedindo votos, sem falar da visibilidade obtida durante sua passagem pelo Ministério do Turismo no período da COP30 que lhe deu muita vitrine junto ao eleitorado paraense. Porém, nada disso adiatou por que na disputa proporcional, sua esposa, Erika Sabino, também não conseguiu uma vaga para a Câmara Federal. Ela recebeu 103.742 votos, mas ficou de fora em razão do coeficiente eleitoral e terminou na primeira suplência.

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